Domingo, Novembro 06, 2011

A décima oitava primavera.

Faltam sete dias. Sete dias para poder comprar bebida alcoólica sem problemas, sete dias para responder pelos meus atos, sete dias para não ter que voltar pra casa antes do toque de recolher. Durante o último mês eu estive animada com a ideia da maioridade, mas agora, pareço perceber que nada vai mudar mesmo. E pior que isso, parece que nada é tão importante assim. Eu queria outras coisas para esse dia. Estou cheia de mágoas e ressentimentos, cheia de pontos que não são finais, cheia de cortes que não cicatrizam. Eu estou tão interminada, tão incompleta. Nesses últimos tempos um furacão tirou todas as coisas do lugar. E dói. Dói não ter a presença de pessoas que eu gosto por demais e tive por anos. Dói que pessoas que deveriam estar presentes não estejam. Então eu me pego pensando, entre um ou outro cigarro que agora insisto em fumar, será que fui eu quem errou? Será que há algo em mim que põe longe todas as pessoas? Não sei. Sei que o próximo treze de novembro provavelmente vai passar bem diferente dos meus planos. Talvez eu vá ver o mar no MAM, tomar uma cerveja. Talvez eu consiga entender que eu posso e devo andar sozinha.

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