sábado, dezembro 31, 2011

Madrugada.

Ele fazia cócegas nos meus pés, depois acariciava as minhas pernas. Estava acontecendo. Após quase um ano, ele finalmente havia nos notado, ele finalmente estava vindo. Beijou a minha nuca, e eu o segurei com os meus braços. Não me importava mais esconder, eu havia escondido tudo perfeitamente bem aquele tempo todo. Foi quando me beijou. Nós nos beijamos. Me parecia que aquele corpo já havia tocado o meu por outras vezes. Outras vidas, talvez. Bonito, beijou-me os seios, como um súdito. Desabotoou paciente o meu vestido, e sorriu lindo quando descobriu o meu ventre. Eu o quis mais perto. Eu o despi também. Aquela pele gostosa de homem maduro. Aquela voz grossa, mansa, louca, me pedindo dizendo “vem”. Nós nos amamos a madrugada quase inteira, até eu precisar voltar a realidade. Até nos despedirmos em frente a minha casa, com um selinho rápido. E os dias tem passado vazios. Por hora, tenho vontade de escrever-lhe um bilhete, em que eu lhe diga apenas:
“Meu bem, por favor, não seja tolo a ponto de se deixar me perder. Sinto sua falta”.
Mas não o faço. Espero como se não esperasse nada, que ele volte. E que possa ler nos meus olhos um pedido quase desesperado pela sua permanência.