
"Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.
Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.
Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim."
(Fernanda Young)
1 Opiniões:
Tem alguém ai? Pergunta ele pra si mesmo, para sua consciência. Ele tinha certeza de que ouvira alguém gritando, pedido pra sair. Já não sabia mais qual a razão, a explicação correta, nem sabia se em algum momento existira razão. Sabia no entanto das consequências. Ela o avisara. Nem precisava, Ele já sabia. Sabia pouco, muito pouco, não imaginava quão grandiosas se tornariam as consequências que Ele já previra, e igualmente grande a dor da partida, a dor de partir. Experimentou agora mandar embora, e isso é o que mais machuca, mas não havia outro jeito, Ele não via outro jeito, teve que improvisar, inventar desculpas que acabaria ele mesmo acreditando, e "desculpas nem sempre são sinceras, quase nunca são". Quem diria, a mentira também não é. Tem alguém ai? Insistiu ele perguntando, num desvariado tom em sentido oposto a filosofia, não queria viajar, queria ter os pés no chão. Procurando resposta só surgiam mais perguntas e uma pequena aflição. É preciso perdoar a si mesmo, o tempo e a vida, só então, depois de conseguir tal façanha, será possível perdoar o próximo, de verdade, sem mais rancor. Mas e agora, o que fazer? Tem alguém ai? Talvez tenha, ouvira, agora, sussurros, e de repente, por debaixo da porta, surgia um envelope, dentro uma pequena carta e um pedido de paz, de paz interior. Um desejo. Pra fortalecer esse desejo ele também desejou. Paz para ela. Escreveu somente isso, no verso da carta, e retornou à Ela por debaixo da porta. Desejou falar do tempo, que cura tudo, das pessoas que se importam - Ele mesmo se importava-, mas recuou, e preferiu falar-lhe o que, naquele momento lhe era mais sincero: Eu te desejo muita paz interior. Desde então, nunca mais ouviu sua consciência gritar.
Belo blog mocinha. Não sei se sua carta foi respondida, mas, como já foleio por aqui de vez em quado, tomei a liberdade de fazer eu minha resposta. Fique em paz
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