segunda-feira, junho 04, 2012

- Deus parece às vezes se esquecer...

- Ai, não fala isso, por favor...

As palavras fugiam da minha boca e meus olhos liam outras. "Adeus". Adeus com gosto de pra sempre e de lágrima. Gosto de lágrima da moça que eu segurava a mão. O mais era indizível. O apertar de mãos era o máximo e não era suficiente. Dor num patamar maior que quase tudo. Amor era dor e não era enamorado. Amor era dor e era para nunca mais. Pensava com insensatez em nuvens e passagens corpóreas e espirituais. Rezava baixinho pedindo uma felicidade que não era pra mim. Como se quisesse sentir a dor ao invés de não saber ao certo a dimensão da dor da outra. Eu cochicho "força" em seu ouvido, querendo que só cochichar torne fato a minha palavra. Querendo entender a dinâmica da vida, e a certeza macabra da morte. Ouço aquela palavra de novo: "adeus" ("a - Deus"). Sinto os braços que choram protagonizarem essa entrega de um espírito aos céus. Engulo o choro por não ter motivos palpáveis para chorar. Nada além da sensibilidade tocada lá dentro e um medo imenso de todas as coisas findas. Estas mesmo, lindas, e que ficarão ainda na vida, mesmo sem ficar. 

"Vai com os anjos, vai em paz 
(...) 
Do resto, não sei dizer..."

Um comentário:

Roh Pimentel disse...

Obrigada Evinha! Por tudo! Estar ao meu lado, me dar forças, ser minha amiga, tudo...