terça-feira, outubro 30, 2012

Sobre o monstro persuasivo.

"Oi, sou Talita. E não tenho capacidade de influenciar ninguém, nem vivo em prol disso, almejo passar despercebida e anseio por minhas próprias verdades tanto quanto pela desconstrução de meus erros. Quando insistes na ideia de que recaia sobre mim alguma culpa de persuasão, persisto na ratificação de que não tenho capacidade de ser nem boa nem má influência para outrem, simplesmente por não saber a fórmula de ser alguém tão boa ou tão má para mim mesma, quem dirá para você, para os seus. Para George Bernard Shaw existem pessoas que vão em busca das circunstâncias que querem e se as não encontram, criam-nas, analisando assim, passo a ser sua circunstância insana criada e o ser que influencia de forma maléfica aquilo que não pode se proteger de mim." 

(Talita Bezerra)

sexta-feira, outubro 26, 2012

Dos diálogos matinais.

‎- Roubar a paz de alguém deveria ser um pecado mortal - Ele disse.
- Não diga besteira. Se o fosse, estaríamos todos mortos.

sábado, outubro 20, 2012

Lies (Once)



Ele estava inválido, 
Mas somente o seu corpo estava quebrado. 
Não é tão simples, nem é fácil de explicar. 
"Vamos deixar assim" - ela disse.
E fecha o livro sagrado das mentiras, 
E cobre seus olhos, 
Negando a si mesma o que pensou acontecer.

segunda-feira, outubro 15, 2012

Sobre as matérias exatas e a minha pouca exatidão.

Um medo. Uma coisa indecifrável. Como posso ser alguém que escreve e escrever coisa? Como posso ser alguém? Dane-se a gramática. O meu coração não tem regras. O meu coração é um poema de má ortografia. Poetizo quase tudo, vivo quase tudo, sou quase nada. Sinto algo sobre necessidade de ter. Não sei ter. Não sei ter para ser. Sou corpo em brasa, música, verso perdido, verso achado, palavra. Sou um anexo nesses dias, em que nada me pode ser prazeroso ou confortável. Não sou exata. Nunca fui. Sou do subjetivo, do poema declamado, das noites mal dormidas. Sou de um transbordar quase insuportável de sentimentos. Não sou disso aqui. Não caibo nisso aqui. Não quero isso aqui. 

Sorriso.

Eu me peguei chorando de novo. Cansada de tentar ser a melhor, de tentar passar por cima, cansada de querer escrever na minha testa "eu estou muito bem". O fato era que não estava. Mas sabe, eu acho que Deus é um cara incrível. De repente, ele arranjou um jeito de me dizer que existia gente chorando por muito mais motivos que amigos que deixam de sê-los. Eu não queria acreditar, mas a minha avó estava certa quando disse:
"Assim como os amores, amigos também se vão. Quando a vida passa e os anos pesam um pouco, é que podemos olhar pra trás e notar que uma grande peneira nos deixou no final só com quem vale a pena. E se for uma pessoa só, ou até nenhuma, ainda será muito bom, porque você terá a certeza de que ficou com as melhores coisas."
Agora acredito, já até posso sorrir de canto. E amanhã, prometo: Sorrirei inteira.

domingo, outubro 14, 2012

Eu vou cuidar.


"Eu não quero mais mentir
Usar espinhos
Que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno 
Que me atraiu 
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou 
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
Pro que eu sou...
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos
Me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver
Venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou...

E se você puder me olhar,  se você quiser me achar,  e se você trouxer o seu lar... Eu vou cuidar,  eu cuidarei dele. Eu vou cuidar do seu jardim..."

sexta-feira, outubro 05, 2012

Eu queria te contar, moça...

Eu queria te contar que eu estive perdida. Que eu ainda não sei caminhar sozinha, que eu levei um tombo e continuo deitada no chão. Meu corpo dói. Meus pés estão sangrando e eu estou cheia de hematomas. Eu queria te contar, moça, que quando segui esse caminho eu não sabia em que lugar ele ia dar. Eu só segui, por curiosidade, impulso, vontade. E tudo o que eu quero agora é levantar e sair desse lugar. Eu passei muito tempo gritando socorro, até notar que eu deveria me levantar sozinha. Eu juro, moça, eu estou tentando. Eu juro que esse caminho é o ultimo lugar onde eu quero estar. Não posso lhe dizer que não há cicatrizes. Haverão para sempre. Cada lugar que passei nesse caminho abriu feridas imensas que eu achei que nunca cicatrizariam. Por muito tempo eu falei dessas feridas nos papéis que escrevi em meio ao meu desespero, eu sei. Achei que falar das feridas as curaria, mas não pensei, moça, que poderia abrir no seu coração algumas feridas também. Não te quero mal. Nunca te quis mal. O meu querer se resume a levantar e correr prum outro caminho. Por isso, moça, eu te pedi perdão. Meu corpo ainda pesa, e não posso me levantar. Há culpa nos meus ombros. Culpa por ter lhe feito chorar, por ter lançado o caos em sua vida. Culpa por ter jogado fora a minha dignidade, os meus amigos, os meus sorrisos. Eu quero paz, você entende? Eu sei que entende, porque você também quer. E é por isso que eu te digo de novo, tentando me redimir um pouco do pecado que cometi: Me desculpe, moça. Eu sinto muito.