sexta-feira, outubro 05, 2012

Eu queria te contar, moça...

Eu queria te contar que eu estive perdida. Que eu ainda não sei caminhar sozinha, que eu levei um tombo e continuo deitada no chão. Meu corpo dói. Meus pés estão sangrando e eu estou cheia de hematomas. Eu queria te contar, moça, que quando segui esse caminho eu não sabia em que lugar ele ia dar. Eu só segui, por curiosidade, impulso, vontade. E tudo o que eu quero agora é levantar e sair desse lugar. Eu passei muito tempo gritando socorro, até notar que eu deveria me levantar sozinha. Eu juro, moça, eu estou tentando. Eu juro que esse caminho é o ultimo lugar onde eu quero estar. Não posso lhe dizer que não há cicatrizes. Haverão para sempre. Cada lugar que passei nesse caminho abriu feridas imensas que eu achei que nunca cicatrizariam. Por muito tempo eu falei dessas feridas nos papéis que escrevi em meio ao meu desespero, eu sei. Achei que falar das feridas as curaria, mas não pensei, moça, que poderia abrir no seu coração algumas feridas também. Não te quero mal. Nunca te quis mal. O meu querer se resume a levantar e correr prum outro caminho. Por isso, moça, eu te pedi perdão. Meu corpo ainda pesa, e não posso me levantar. Há culpa nos meus ombros. Culpa por ter lhe feito chorar, por ter lançado o caos em sua vida. Culpa por ter jogado fora a minha dignidade, os meus amigos, os meus sorrisos. Eu quero paz, você entende? Eu sei que entende, porque você também quer. E é por isso que eu te digo de novo, tentando me redimir um pouco do pecado que cometi: Me desculpe, moça. Eu sinto muito.

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