quinta-feira, janeiro 03, 2013

Mensagem de uma puta triste



"Assim você me perde, e eu perco você..." 

Isso não é uma carta, não é um documento, não é um rabisco. Eu não sei o que é. Mas é qualquer coisa que me torne capaz de chegar até você. Capaz de dizer que eu ouvi o que você disse sobre mim e que eu não sou isso aí. Ou que eu sou sim. E que nada disso importa porque eu só quero sentar com você e tomar uma fanta uva. Conversar sobre poesia, música ou sobre o seu novo corte de cabelo. Mas alguém colocou na sua cabeça que não tá certo. Não tá certo ser alguém como eu. E você acreditou porque não sabe que todos também não acham certo viver como você. Não sabe que esses abraços que trocam contigo são pura política de boa vizinhança. Você é tão imaturo, baby. Tão ingênuo, tão frágil. Eles te pegaram de jeito. Ah, como eu queria tirar a venda que cobre os teus olhos. Mas não posso. Minhas mãos não são dignas. Minhas mãos não tem forças para lutar contra essa eterna "cidade de Geni", contra esses homens armados até os dentes de moralismos fétidos. Eu me olho nesse espelho como quem procura ver algo, uma só coisa que me torne parecida com o que ouvi e não vejo. Eu vejo a mim, ainda. Aquela menina assustada de coturno arriscando notas no violão no meio da praça. A mesma. Eu sou mais que esse reflexo, que esse corpo. Eu sou espírito. Mas de que importa, não é? Meus olhos continuam fixos sobre o meu reflexo, e para não chorar, cubro o meu corpo cheio de marcas das pedras. 



"Mas logo raiou o dia 
E a cidade em cantoria 
Não deixou ela dormir..."


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