quinta-feira, maio 09, 2013

A voz

Eu disse que iria embora. Foi. Mas veio outra. A outra que parecia com aquela que parecia com aquela outra. E recitava Fernando Pessoa. "O poeta...", ele disse. Eu corri. Corri com os olhos cheios d'água. Um emaranhado de pensamentos, um medo, um quase desespero. A porta se bateu atrás de mim e pude tapar os ouvidos. Mas a voz estava lá. Lá era o lugar para o qual eu precisava voltar. A voz. Ali, atrás de mim novamente. Sem saber que da inquietude que me causava, continuava. Tom a tom, alta, em boa dicção. Eu procuro ouvir outras vozes para sobrepor a que me faz protagonizar a loucura. Aos poucos, outros timbres vão adentrando os meus tímpanos. Ela finalmente vai embora. Timidamente, eu murmuro: Que vá. E que por favor, não volte. 

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