quinta-feira, maio 16, 2013

Ainda pulsa

"Doravante, eu o sei e qualquer um o sabe: O coração tem domicílio no peito. Comigo a anatomia enlouqueceu. - Sou todo coração. Em todas as partes pulsa." 
 [Maiakoviski]


"A gente nasce inteiro e se esforça pra ser metade, vai entender". Me disse o Pedro Pondé, sempre parecendo ler meus pensamentos. E eu naquele dia estava tão metade querendo ser inteira, que entendi. Entendi porque quando tudo era inteiro, eu busquei o fôlego no fim do mundo pra me dividir. Eu sangrei pra parar de sangrar. E consegui. A gente nasce inteiro e se esforça pra ser metade, eu repeti. Se esforça porque ser inteiro é feio. Se despir de máscaras, ser frágil, chorar em público, não pode, não tá certo. Ser inteiro choca. Ser inteiro incomoda. Pessoas inteiras voltam para casa encabuladas por estarem sós. Sempre com um rebuliço no coração, rosto rubro, cabelos soltos ao vento. Eu quis por muito tempo ser metade. E agora que sou, fico querendo transbordar, passar da margem. Me parece que os que são verdadeiramente inteiros, é difícil assumir outro tamanho que não este.
...Enquanto a música toca nos fones, me massageando a alma, eu sinto meu coração dilatar e pulsar no meu corpo inteiro. E eu sinceramente espero que ele pulse até que eu desfaleça e morra, com a certeza de que estive viva o suficiente para senti-lo tocando a minha blusa, no lado esquerdo do peito.
"É permitido (viver) fora da caixa."
...A gente se ilude dizendo que já não há mais coração...

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