domingo, maio 12, 2013

Por ser amor...


Eu nunca sei por onde começar essas coisas, nem como falar (eu sempre fui sem jeito, vce sabe). Mas hoje eu acordei com o vazio de não poder ser primeira pessoa a te desejar um feliz dia das mães, como tem sido há 19 anos. Eu te liguei e todas as palavras se perderam. Quando você perguntou "o que você quer?", eu só disse "eu quero te ver". A verdade é que eu queria falar muito mais, mas escrever sempre foi muito mais fácil (lembra? "pera mãe, vou te escrever uma carta"). Eu quis te dizer que ontem o meu coração tinha um buraquinho quando chorei na nossa música. O tempo prega peças na gente, né mãe? De repente os nossos caminhos parece que quase nunca se cruzam, e nós nos tornamos diferentes uma da outra. Não sei em que momento eu acordei e os meus olhos já não enxergavam como os seus (engraçado, foi você quem os guiou, como que cão guia de um cego). E nós fomos nos perdendo no meio dessa confusão que é o sentimento e aos poucos não havia mais sambinha ao som de "regra três", nem cantar Legião Urbana até de madrugada. Não tinha você imitando a vez da Pitucha e do Pequeno Príncipe, não tinha mais selinho de bom dia, vitamina de farinha láctea, bilhetinho no meio da aula com poema do Vinícius. Crescer é estranho, né mãe? A gente perde o jeito pra gritar quando se machuca, porque dificilmente o machucado é daqueles que o merthiolate resolve. E a gente acha que cresceu e que pode carregar o mundo inteiro nas costas, que gritar e dizer "eu tenho razão" sempre funciona melhor. A gente finge que nem dói olhar pra outra pessoa e dizer "ela não me entende". Justo nós duas, que sempre nos comunicamos com o olhar e fomos parceiras em todos os tropeços. Que seguramos a barra uma pra a outra e dissemos "você consegue, você é forte". Você se lembra, mãe? Lembra de quando nós tomávamos uma cervejinha ao som de um violão e cantávamos todas as melhores pérolas da MPB? Você se lembra de quantas vezes nós pedimos que o cantor tocasse "Pétala"? Como era fácil naquela época, não era? 
 Agora, você me ligou e disse "estou indo pra casa". Nós duas esperamos curiosas pra saber quem vai ceder e se desfazer das armaduras que construímos, quando o que a gente quer mesmo é levantar bandeira branca o tempo inteiro. 
Apesar de todos os pesares, FELIZ DIA DAS MÃES. Me desculpe por às vezes pesar a mão, bater a porta, gritar ao ponto de não ouvir. 
Eu te amo, ainda. E pra sempre.

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