quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Cor de ocre

"No giz do gesto, o jeito pronto do piscar dos cílios que o convite do silêncio exibe em cada olhar."

Eu tomava uma cerveja típica de fim de sexta-feira num novo bar para me livrar da rotina. Estava distraído quando ela me disse "mais uma cerveja?". Não pude disfarçar o meu encanto instantâneo pelos olhos bonitos daquela moça. Gaguejei e pedi mais uma cerveja. Pude notar que ela ria de mim, como se me achasse apenas mais um dos rapazes bobos que se apaixonavam pela sua beleza. Quis ficar ali o máximo de tempo possível, mesmo que a cerveja já embrulhasse o meu estômago. Quando ela me disse "rapaz, vamos fechar", eu escrevi aos garranchos o meu celular num guardanapo. Ela me observava do balcão com o olhar de quem sabia o que aquilo significava. Fui-me embora a apenas duas horas e desde então espero minuto por minuto que o meu telefone toque. Não toca. A moça dos olhos cor de ocre agora se afigura apenas como uma obra de arte muito bonita e inalcançável para os meus dias.

Um comentário:

Danilo Pereira disse...

Tem continuação? Ele podia tomar outra cerveja, pensando nela ou tentando esquecê-la.