terça-feira, abril 29, 2014

Aqui.


Eu quero fazer coisa séria com você. Eu quero quarto quente, beijo quente, noite quente. Eu quero lua cheia. Eu quero cuidar de você. Quero fazer teu café da manhã, e me arriscar na cozinha só pra te ver feliz. Melhor ainda: Quero cozinhar com você. Meu menino cheio de dotes que pra ser mais perfeito, cozinha muito bem. Quero te olhar de manhã cedo, enquanto você ainda dorme, e pensar: "não pode ser melhor". Quero aceitar as suas propostas indecentes todas. Quero te arrancar suspiros. Eu quero ouvir contigo aquela nossa música do Chico. Eu quero que você entenda que pode dividir todos os seus segredos comigo, sem precisar mentir. Eu quero ter a tua cabeça no meu seio. Eu quero o seu olhar pidão dizendo que me quer. Eu quero filar a aula da faculdade pra ir pra a sua casa. Eu quero jogar todas as minhas responsabilidades de lado por umas horinhas (o que é que tem?) e descobrir o mundo inteiro sentada da garupa da sua moto. Eu quero assistir aqueles nossos filmes. Você entende o que é isso? Eu estou lhe dando os meus dias, os dias que eu sempre vivi só. Agora eu quero dividi-los. E você me parece perfeito. Vamos? Vamos viver isso? Eu te juro, meu bem, vai ser mágico. Vem cá. Você se lembra de quando me disse que não iria nunca soltar a minha mão? Eu preciso do teu beijo agora. Eu preciso te dizer que eu sou sua menina. E que você é (indubitavelmente) o meu rapaz.

domingo, abril 27, 2014

Sobre dias chuvosos (ou "abril despedaçado")


Ah, esse meu vício desgovernado pelo proibido, pelo impossível! À beira de um ataque de loucura, peço inutilmente em minhas orações qualquer paz, qualquer sorte. Ponho-me a embriagar, permanecer nessa falsa euforia que a embriaguez me dá de mão beijada, de beijo frio, vulgar, sujo. Mas dá. E se tenho, eu vou. Danço em passos de bailarina fracassada sobre as minhas lembranças. Esbarro em sangue, medo. Esbarro em milhares de ‘eus’ que se debatem e se ferem a todo tempo. O gosto é de fim. Do caminho, da estrada, do que queira chamar. Gosto amargo de conhaque. Gosto de esperança morta e de malas prontas para ir a lugar nenhum. Gosto de asas amputadas. Tivesse eu, o dragão do Jorge, a espada da Joana, o grito rouco da Janis. Ah, se tivesse! Mas é nada. Mais, é nada. Nada em todos os cantos, nada estampado nas paredes do meu quarto. Nada emoldurando as minhas fotos na estante. Fica só a lua. Danada de linda, de poética. Fica o meu travesseiro molhado, meu cobertor, minha noite insone e perturbadora. E eu, por não poder me livrar pra sempre de mim mesma e nunca mais me reencontrar.

sábado, abril 26, 2014

Cotidiano.


Ele beijou-me o olho direito.
- Dizem que beijo no olho é beijo na alma. - Disse.
Sorri.
- Dizem que só beija no olho quem ama. - Comentei, beijando-lhe o olho esquerdo.
- Você me ama?
Não respondi. Apenas levantei-lhe o queixo e beijei-lhe o outro olho. Ele sorriu.
Era assim que nós nos amávamos: Intensa e silenciosamente.