quinta-feira, agosto 28, 2014

Eutimia



Eu o quis por aventura, por atração. O dia amanheceu bonito, e ele segurou a minha mão, dizendo: Te quero hoje de novo. Nós nos beijamos e aquele beijo me pareceu doce. Doce como há muito não sentia. Diferente daquele gosto amargo ao qual eu estava acostumada. E de acostumada que estava, deixei escapar aquele hoje, e outros beijos doces. Só que o beijo doce me queria. Sobre querer eu entendia. Os olhos dele tinham cor de vontade. Os lábios dele, após me beijar (docemente), disseram "fica comigo...". Mas havia aquela minha velha mania de ir embora. Fui. Deixei pedaços de mim, para saber voltar, para ouvi-lo chamar num outro dia. Ouvi. Voz linda de segurança, cheiro bom de homem bem resolvido. Gosto doce. De novo. De novo. De novo. Verbo conjugado na primeira pessoa do plural. Plu-ral. Dessa vez então, foi ele quem foi. Mas me disse "volto", e o meu coração ficou tranquilo. Eu já não podia negar que minha pele tinha inteira o cheiro doce, que eu queria mais. O tempo todo. Todos os dias. Ele era um vício gostoso. O meu doce. Alucinógeno e tranquilizante ao mesmo tempo. Impossível de largar, não havia cura. E a essa altura, ainda que houvesse, eu não faria esforço algum para achá-la.

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