segunda-feira, maio 04, 2015

Do querer

Ela esconde uma magia singular naquele sorriso aberto, parece que nele habita a luz do mundo inteiro. E me rasga, também inteiro, quando não posso tocar os seus lábios, sentir os seus dedos, os seus olhares, os seus detalhes. Fotografo todo aquele corpo que se perde entre a adolescência e a maturidade. Toda a confusão é encantadora. A poesia discreta dos seus olhos se traduz nas entrelinhas do seu rosto pueril. A fumaça do seu cigarro me come as narinas e se mistura aos seus longuíssimos cabelos negros. Quero sentir mais, de perto. Quero fumar o seu cigarro e a sua boca. Quero beijá-la como quem dá o último trago, como quem bebe o último gole da bebida preferida. Devagar, cuidadosamente, tentando saciar a sede, prolongar o deleite. Quero a delícia do prazer de descobrir os seus sentidos, os seus gemidos. Quero o pulsar do seu coração no meu peito. Quero o cheiro doce no silêncio das horas longas, nessas noites vazias e insones. No brilho da lua, nas quartas-feiras de jazz. Quero a gosto da travessia pelas tuas curvas. Quero ser o que não dói e descansa na terra do desejo. Quero um punhado de maluquices impossíveis. 

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