segunda-feira, abril 04, 2016

Dos desvarios

"Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas aqui do outro lado
Tudo plugado, tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos..."


Em que momento eu me perdi? - Me pergunto, fumando o sexto ou sétimo cigarro, num desespero que pensei não me aparecer mais. Essas dimensões exacerbadas e esse platonismo fazem com que eu me sinta uma menina de 13 anos. Mas é aí que a voz da sensatez me faz entender que o passar dos anos mudou quase tudo, menos essa sensibilidade agonizante. Essa mania de guardar as vozes e gestos, de deixar que tudo (tudo!) me tome o juízo e dilacere as minhas certezas. Vago nessas ruas desertas enquanto um punhado de músicas continua me descrevendo (há quantos anos?). Sou toda inteireza de sentir. Essas pessoas se abrigam em mim, só que na realidade são como ventania que passa muito muito rápido. No mundo real, sei que sou nada. Mas na fantasia é que desatino. Deve ser característica nata dos sensíveis fantasiar. E guardar em sigilo todo sentimento. Deve ser característica dos sensíveis ser qualquer coisa ininteligível, incompreensível. Qualquer dessas coisas que é nada nada e tudo. Que é sem razão de ser. De algum lugar que de tão tenebroso e feio não sabe ser amor. 

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