sexta-feira, julho 22, 2016

Solar


Eu queria que você quisesse sentar comigo embaixo dessa macieira, que de tão verdinha parece nem ser real. Sentar comigo e falar de qualquer bobagem solta, sem ensaiar as palavras, sem desviar os olhos. Sem pensar em nada de dor. Eu queria que você quisesse amar esse meu amor intranquilo, e queria que você gostasse de parar as minhas mãos agitadas e trêmulas segurando-as forte entre as suas. Que você falasse com veemência essas frases que diz de vez em quando como se elas não fossem fortes e nem me bagunçassem inteira. Eu queria que você sentisse o calor da minha alma perdida no meio dessa frieza sem fim. Que você entendesse que ninguém encontra por acaso nessas esquinas tortas da vida alguém que enxerga com uns olhares tão parecidos. Que você descobrisse que o meu amor é desses que te deixariam desnorteado, aturdido de desejo. Eu queria que você quisesse perder o juízo e o fôlego. Que você me emprestasse as suas horas para sossegar cabeça no meu ombro e cochichar umas besteiras bonitas. Que você soubesse que eu te amo baixinho porque gritar deixaria a mostra todas as minhas mazelas e feridas. E eu não saberia te ser olho marejado nem chaga exposta, meu bem.  

Eu quero te ser domingo de sol e amor de uma vida inteira.